18/01/2006
CPI DAS PRIVATIZAÇÕES TEM MORTE ANUNCIADA - JB
Por:
Editor
JB, 18/01/2006:
CPI das Privatizações tem morte anunciada
Líderes governistas desistem de criar novo foco de atrito com a oposição
BRASÍLIA - Criada na segunda-feira sem aviso prévio, a CPI das Privatizações caminha aparentemente para uma morte prematura, abandonada pela oposição e pelos governistas. Na Câmara, já é comparada a outras CPIs que tiveram fim melancólico, como a do setor elétrico e a do mensalão.
Ontem, a avaliação predominante entre os líderes partidários era a de que a comissão é inoportuna. Para a oposição, por razões óbvias: destina-se a investigar sobretudo as privatizações da era Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Nem os líderes governistas demonstravam ontem o entusiasmo inicial. Por motivo pragmático: não interessa criar mais um foco de atrito agora que a crise política começa a esfriar, além de haver o risco de ter troco nas CPIs dos Correios e dos Bingos.
- A conveniência de iniciar nessa altura do processo uma CPI tão complexa é bastante questionável - disse o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
O ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner afirma que não participou de nenhuma reunião ´´nem de estímulo, nem de desestímulo para a instalação da CPI´´.
- Nós não temos pressa de instalar essa e nem temos pressa de encerrar as outras - diz Wagner.
Ontem, integrantes da base governista aliada viviam o dilema de finalmente verem criada uma CPI que há muito reivindicavam, só que no momento errado.
- As privatizações dos governos FHC foram escabrosas, mas o momento é inadequado, coincidindo com o processo eleitoral. Não é possível fazer investigação nessas condições - ponderou o líder do PSB, Renato Casagrande (ES).
A oposição já avisava que o governo daria um tiro no pé se insistisse na comissão.
- Será que o governo vai querer mais um fator de instabilidade política? - indagou Custódio Mattos (PSDB-MG).
Para o líder do PSDB, Alberto Goldman (SP), o maior interessado em matar a CPI deveria ser o Planalto.
- Isso cria uma reação negativa nos mercados.
A CPI foi pedida em junho de 2003, pelos deputados fluminenses Vieira Reis e José Divino, ex-peemedebistas que hoje estão no PRB do vice-presidente, José Alencar. Ficou congelada por dois anos e sete meses, para ressuscitar agora, ao abrir uma ´´vaga´´ na lista de cinco comissões que podem funcionar simultaneamente na Câmara.
Aldo deve esperar até sexta-feira pelas indicações dos líderes para compor a CPI. Promete fazer ele mesmo as nomeações se isso não acontecer. Até o fim da tarde de ontem, nenhuma legenda havia designado parlamentares. A tendência é que as indicações sejam feitas, mas que a CPI morra naturalmente por desinteresse das bancadas.
Em resposta às críticas de que criou a CPI sem antes fazer uma articulação política, Aldo afirmou que não tomou sua decisão por ´´conveniência´´.
-Obedeci apenas ao critério da ordem de apresentação do requerimento.
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